Coldplay cria uma experiência transcendental para o público em seu show

A banda de rock britânico está em São Paulo com a “Music of the Spheres Tour”, uma das mais extensas turnês da história do nosso país

O Coldplay sempre foi uma banda muito bem sucedida em suas turnês pelo Brasil. Tenho memórias de notícias dizendo que a procura foi tão grande, que os ingressos se esgotaram rapidamente em São Paulo. Inclusive em 2016, tentei comprar o meu ingresso na porta do Allianz Parque até o último minuto e voltei para casa frustrada por não conseguir.

No ano seguinte, eu e minha amiga Luiza garantimos nossas entradas na pré-venda da “A Head Full of Dreams” que aconteceu mesmo local. Foi uma experiência incrível! O show de luzes e pirotecnia além da emoção na voz de Chris Martin marcaram nossas vidas. Porém, daquele tempo até o Rock in Rio 2022, o Coldplay se transformou em algo ainda maior e que tem gerado muita curiosidade em até quem não é fã da banda. Definitivamente a “Music of the Spheres Tour” alcançou um novo patamar no showbiz. 

Na última edição do Rock in Rio o Coldplay foi o headliner do festival que mais chamou a atenção da mídia especializada e despertou um enorme desejo nas pessoas, sendo fã ou não, de viverem essa experiência que o show entrega. Com isso, a banda anunciou diversas datas em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba no mês de outubro de 2022 que logo se esgotaram rapidamente. Mas, devido à um problema de saúde do frontman, a turnê Music of the Spheres Tour” foi adiada para março de 2023 e gerou ainda mais uma ambição nos brasileiros de garantirem o ingresso para assistir pelo menos uma das onze apresentações do Coldplay ao vivo. 

A espera chegou ao fim e o Diário de Shows esteve na segunda noite de apresentações do Coldplay no Morumbi em São Paulo, na noite do sábado 11 de março de 2023. 

Music of the Spheres Tour”

A Music of the Spheres Tour” é a oitava turnê da carreira do Coldplay, que leva o nome do nono álbum de estúdio lançado em 2021. Para este ano, Chris Martin e sua equipe criaram um show que foi além do espetáculo e da experiência do fã ouvindo suas músicas favoritas ao vivo.

Houve também toda uma consciêntização do público sobre sustentabilidade. Afinal, Chris anunciou antes da pandemia que só voltaria aos palcos se conseguisse diminuir a emissão de dióxido de carbono em 50% produzido pelos seus shows comparado à turnê anterior. Por isso, desta vez não foi possível trazer a pulseira que pisca como suvenir para casa. Ele também criou uma ação de sorteio de ingressos para quem tivesse uma ideia sustentável de transporte para chegar ao evento, desenvolveu a primeira bateria de show recarregavel móvel e prometeu plantar uma árvore por cada ingresso vendido. 

No dia 11 de março, no Estádio do Morumbi, o Coldplay convidou a cantora nacional Elana Dara e a banda de synth-pop escocesa CHVRCHES para dar início a noite mais aguardada por quase (ou um pouco mais) 60 mil pessoas. Apesar da intensa chuva que pairava sob a cidade de São Paulo, as duas bandas de abertura conseguiram elevar a vibração do público e abrir a noite com shows alegres, onde a água que descia do céu não se tornou um impecílio. Muito pelo contrário, a vocalista Lauren Mayberry da banda CHVRCHES desfilava pelo palco enquanto apresentava seus últimos lançamentos, demonstrando estar muito animada por estar ali naquele momento. 

Enquanto a atração principal da noite não surgia no palco, que era simples, como um começo de banda ensaiando em um quarto, a música ambiente suave distraia o público e diminua a ansiedade de quem estava pronto para ter uma das experiências de shows mais mágicas dos últimos tempos. Então, após um curta metragem sobre sustentabilidade, o Coldplay apareceu no telão caminhando do backstage para o palco, dando ínicio ao espetáculo ao som de “Higher Power”.

Nesta hora a vibe paz e amor deu lugar aos gritos estridentes e Chris deu sequência com “Adventure of a Lifetime” e “Paradise”, onde o vocalista regeu a platéia fazendo eles cantarem o refrão muito baixo direcionando para uma intensidade arrepiante no final. Em seguida, eles tocaram os grandes sucessos como “The Scientist”, “Viva La Vida”, “Something Just Like This” e então, um fã subiu ao palco para tocar piano em “Gravity”.

Logo após, o show de luzes já encantavam os olhares de todo mundo ali presente no Estádio do Morumbi. Os efeitos visuais fazem os fãs viajarem para outra realidade ao som de “Charlie Brown” e em “Yellow”, Chris pede para o público da pista se virar para quem está na arquibancada e todos cantam juntos, promovendo uma bela união já que assistir o show de um lugar mais longe muitas vezes deixa uma sensação de não pertencimento, “como se estivesse assistido na TV em casa” – comenta o nosso fotógrafo Rafael Andrade.

Em “Human Heart”, somente algumas pulseiras se ascenderam formando um enorme coração. E após este momento amoroso, o vocalista cantou a faixa em apoio ao público LGBTQIA+ “People of the Pride”. Após tantos hits, incluindo a bela performance de Chris no piano em “Clocks”, a banda fez uma breve pausa e voltou usando máscara de alienígena e uma camiseta escrito “todo mundo é alienígena em algum lugar” em inglês ao som de “Hymn for the Weekend”. Um dos pontos altos da noite foi a participação de Seu Jorge, na faixa “Amiga da Minha Mulher” e o momento gracioso do Chris tentando cantar o refrão em português. 

O Coldplay finalizou o segundo dia da maratona Music of the Spheres Tour” em São Paulo com “Humankind”, “Fix You” e “Biutyful”, deixando uma legião de pessoas deslumbradas com a energia da apresentação, com a beleza dos efeitos visuais, com a leveza como a banda se diverte e emociona no palco e, por fim, sem conseguir explicar em palavras a sensação de prazer que é estar em uma experiência promovida pelo Coldplay.

Talvez o resultado dessa alquimia entre música e sucesso de vendas da banda britânica seja apenas, humildade e amor. 

Confira os próximos shows da turnê Music of the Spheres Tour” na agenda completa do Diário de Shows. 

*imagens feitas pelo celular – @mfrafael